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NÁCAR MADRIGAIS

Butterfly busca um amor verdadeiro. Ela tem em Blue, espécie de oráculo, um porto seguro para encontrar o Poeta Gentil. No enredo da história, associativa e com trechos não-lineares, a protagonista interage com Dark T., que representa seus amores mal sucedidos. No fluir das emoções, através de haicais livremente escritos, a história se desenrola e a concha se abre, revelando a preciosidade do amor.

O Nácar é produzido no interior das conchas que, com a entrada de um corpo estranho, é liberado em camadas esféricas formando uma pérola. A vida em equilíbrio é ameaçada e o resultado é similar ao que reveste internamente as paredes da concha, porém distinto, concentrado, resistente e belo. As cores do nácar podem variar em tonalidades diversas, sutis e ao mesmo tempo expressivas, dependendo da luz que sobre ele se projeta. Os madrigais são composições musicais a partir de textos poéticos que atingiram o seu auge na Renascença italiana do século XVI, expressando esteticamente, em formas e técnicas cada vez mais livres e experimentais, os sentimentos mais intensos e recorrentes da trajetória humana; lirismo e dor. Adriana Oliveira, artista plural e poeta sensível, nos desvenda a sua jornada pessoal, memórias, descobertas e inquietações, através de versos livres que, como madrigais ou haicais, carregam imagens que se permitem (re)leituras múltiplas. Como uma concha invadida por elementos desconhecidos, as (des)venturas da autora à procura de sentido e completude produziram camadas concêntricas de uma joia, uma pérola, cujos matizes são revelados pela luz do olhar do leitor, pois são sentimentos universais encapsulados em experiências pessoais. As ilustrações de Júlia Rocha traduzem em cores personagens e ideias que compõem uma narrativa fluida, porém coesa, das vivências da autora. Seu alter ego, Butterfly, trilha um caminho vital na procura de um amor verdadeiro (e na descoberta de si mesma), em que Blue, Dark T. e Poeta Gentil representam os diversos (des)encontros e metamorfoses. Uma busca contínua e infinita, pois transcendental ; a matéria ­prima que inspira a alma a produzir ARTE.

Rodolfo Valverde

Biografia

Artista visual e escritora, sempre trabalhou no trânsito entre linguagens.
Cursou letras e artes plásticas na graduação, fez pós-graduação em comunicação e semiótica, enveredou pela arte-tecnologia.
Voltou ao corpo, e hoje simplifica seus processos. Há muita complexidade nas coisas simples.
Gosta de participar de todas as etapas de execução de uma obra, tanto nas artes visuais, quanto na escrita. Já foi curadora, já captou recursos, já teve seu próprio espaço expositivo. Mas, ainda assim, prefere terceirizar as etapas que não executa tão bem.
Continua aprendendo e quer viver em uma granja, afastada da agitação da cidade.